
Os movimentos são lentos, às vezes até desordenados, mas o brilho nos olhos é o mesmo de um adolescente num primeiro encontro. Assim se comportaram dezenas de homens e mulheres que participaram do concurso Miss e Mister Terceira Idade, ontem, em Limeira.
Aquilo não deveria ser chamado de concurso e sim de lição de vida. Homens com mais de 70 anos desfilavam como se estivessem andando na Praça Toledo Barros há 50 anos, flertando garotas que sentavam nos antigos bancos de madeira. Já as mulheres flutuavam pela passarela embaladas por Queen e mandavam beijos com se estivessem dizendo: “Estou viva, jovem e sou bonita”. E de fato são.
A alegria era contagiante. Não pela torcida, mas pela vibração que cada uma daquelas pessoas que subiam na passarela transmitia. Não pareciam em momento nenhum que estavam preocupadas em ganhar ou perder e sim em viver aquele momento como se fosse o último de suas vidas. Dançaram, riram e choraram.
Confesso que nos poucos minutos em que fiquei ali aprendi uma grande lição: a vida não começa aos 40 nem tão pouco termina aos 70 ou 80. Aprendi que a vida vai além da matemática da idade e que o que conta de fato não são os números e sim a intensidade de viver como jovem para sempre.
Henry Villela, repórter do Jornal de Limeira