Cheguei há pouco tempo da inauguração do novo campus da Unicamp de Limeira, a Faculdade de Ciências Aplicadas. Queria muito ir para observar toda a movimentação que a imprensa local faz quando o governador ou outro político famoso está na cidade. No caso de hoje, foi o governador José Serra. Vários jornalistas, câmeras e fotógrafos se amontoando para registrar a fala do governador foi uma cena interessante de observar.
A primeira constatação mais interessante foi a manifestação de alunos do Ceset/Unicamp e a resposta de Serra à barulheira que eles faziam enquanto autoridades discursavam. Eles pediam moradia no campus da Unicamp, diziam que não têm segurança onde estudam, entre outras reivindicações. Serra, no início de seu discurso, elogiou a Unicamp dizendo que é uma das instituições que mais registram patentes no Brasil. Usou essa informação para tentar calar os estudantes. "Em matéria de chateação essa merece uma patente", disse. Foi vaiado e aplaudido. De todo o evento foi a única fala que eu anotei, a mais interessante para mim, pois não estava ali para fazer a matéria da inauguração, mas sim para observar. Observação fez meu tio Gino Contin Jr. logo após a declaração de Serra: "Como é que um ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) é contra um movimento estudantil?" Pode-se pensar no assunto...
O segundo ponto foi ouvir de uma loira azeda e infeliz a seguinte frase: "A imprensa é um pé no saco". Pé no saco deve ser a vida dela ou ela própria na vida dos outros... Ela falou isso enquanto observava o governador dando uma coletiva, com vários repórteres se amontoando para tentar tirar declarações dele. Primeiro que foi uma falta de organização total. Não reservaram um local decente para Serra responder as perguntas da imprensa - que precisa de respostas, afinal não é todo dia que o responsável pelo Estado vem para Limeira... Se vira nos 30 e consegue algo.
Uma funcionária da assessoria do Estado veio até nossa equipe, logo quando chegamos, dizendo: "Por que vocês não deram nenhuma notícia do 'góvi' hoje aqui na cidade?". Que informalidade! Já entregou de cara que a organização do evento seria pífia pela qualidade da assessoria... A prefeitura daqui de Limeira realiza eventos bem melhores! Não havia água suficiente, nem reserva - precisaram ir comprar mais caixas fora de lá. Até teve um café, mas em outro lugar e reservado para imprensa e autoridades (diga-se de passagem que estava gostoso).
Alex Contin, estagiário do Jornal de Limeira
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
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Um comentário:
Serra despreza as manifestações democráticas, como governador e estadista que pretende ser para se tornar presidente, deveria ter mais sensibilidade, mas sua história de baseia na arrogância e intoleraância às críticas, vide o episódio USP quando os estudantes tiveram que chegar ao extremo de invadir a reitoria para terem suas reivindicações ou parte delas atendidas por este governo, que se recusava, sequer a dialogar com os manifestantes.
O caso da segurança nos arredores do campus é um fato irrefutável, vide as próprias matérias de jornais locais que comprovam as vítimas da violência nos arredores e no próprio campus.
Talvez o governador estivesse desinformado sobre a presença de um outro campus da Unicamp na cidade, e não entendeu porque estava inaugurando o campus II da UNICAMP, mas aqueles alunos reivindicam a moradia estudantil, no mesmo terreno onde foi erguida a UNICAMP há décadas, sem nunca terem sido atendidos e muitos pagam aluguéis em repúblicas ou optam por pagar o ônibus do Campus Central para o campus I de Limeira para usufruirem da moradia estudantil em Campinas.
Ou seja a Universidade tem dois tipos de alunos, os privilegiados que possuem uma moradia à disposição e os desprivilegiados que têm que arcar do próprio bolso despesas com moradia ou transporte para terem o mesmo direito.
Enfim, as manifestações eram legítimas e engana-se o governador quando não reconhece as críticas dos alunos da Unicamp, que com certeza serão ampliados com os novos alunos ingressantes nos novos cursos inaugurados. Poderia ter humildade suficiente para ouvir as reivindicações e tentar solucioná-las, mas infelizmente não foi a tonica utilizada na inaguração.
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