Eu gostaria de ter disposição para escrever sobre picuinhas e manobras dos homens públicos. Mas somente jornalistas com profundo senso de dever conseguem dominar o asco ao falar sobre política. O político tradicional não pensa em outra coisa a não ser em grana e status. Enxerga o cotidiano de forma muito burocrática. Seu horizonte é muito limitado. Quase triste. Só não é triste porque geralmente é safado. E safado não sofre, não fica triste. Safado supera tudo com facilidade. Afinal, é preciso continuar mentindo, roubando, pisoteando a ética. Vive um mundo completamente diferente do meu.
Semelhante ao político é o jornalista chapa-branca. Aprendeu a ser tão dissimulado que aceita a própria mentira como verdade absoluta. Ganha dinheiro, claro. Mas é um bosta. Uma espécie de prostituta que perdeu o auto-respeito.
Tudo isso me dá tédio. Mas é preciso estar atento senão o político safado manipula a semântica para enrolar os inocentes. Graças a Deus há pessoas honestas que buscam a verdade das conversas enviesadas. Estas pessoas sabem que, às vezes, é preciso fazer opções que nem sempre são as ideais.
Mesmo com a existência de gente disposta a trabalhar para preservar a fé do cidadão comum nas instituíções democráticas, assalta-nos, vez ou outra, um sentimento langoroso de envolvimento com as mazelas sociais. Neste caso, o distanciamento pode ajudar a melhorar a interpretação da realidade.
Chego dolorosamente à conclusão que sou demasiadamente indisciplinado para ouvir gente tosca como os vereadores Eliseu Daniel e Iraciara Basseto discursarem no plenário da Câmara.
Não é à toa que os jovens sentem nojo da verborragia desse pessoal que pensa estar antenado com a realidade, mas apenas faz figuração no cenário da vida prática. Jovem quer viver, político quer matar. A etimologia não explica mais nada. Política é um termo desgastado. Uma assombração.
Prefiro o silêncio das palavras no papel ao ruído das entrevistas, das teclas, das fofocas de bastidores. Prefiro o ostracismo à fama artificial proporcionada pelo interesse de quem vê nos jornais a tábua de salvação para o seu negócio, seja ele qual for.
É difícil expor pensamentos e sentimentos complexos em poucas linhas. A vida não acontece em poucas linhas. Nada acontece em poucas linhas. O mundo gira num emaranhado de angústias, desencontros, decepções impossíveis de serem abarcados pela pretensa objetividade jornalística.
Retirado do blog do jornalista Cristiano Kock Vitta, editor de Esportes do Jornal de Limeira
segunda-feira, 26 de maio de 2008
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