sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Blog do Proibido

Galera!!

O Proibido para Maiores, espaço jovem do Jornal de Limeira, agora ganhou um blog só dele. Não deixem de acessar, ler e participar. Lá haverá todos os dias as últimas novidades do mundo da moda, beleza, música, livros, shows, cinema, educação, emprego, etc.

O endereço é: http://proibidojl.blogspot.com

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Serra foi vaiado e aplaudido

Cheguei há pouco tempo da inauguração do novo campus da Unicamp de Limeira, a Faculdade de Ciências Aplicadas. Queria muito ir para observar toda a movimentação que a imprensa local faz quando o governador ou outro político famoso está na cidade. No caso de hoje, foi o governador José Serra. Vários jornalistas, câmeras e fotógrafos se amontoando para registrar a fala do governador foi uma cena interessante de observar.

A primeira constatação mais interessante foi a manifestação de alunos do Ceset/Unicamp e a resposta de Serra à barulheira que eles faziam enquanto autoridades discursavam. Eles pediam moradia no campus da Unicamp, diziam que não têm segurança onde estudam, entre outras reivindicações. Serra, no início de seu discurso, elogiou a Unicamp dizendo que é uma das instituições que mais registram patentes no Brasil. Usou essa informação para tentar calar os estudantes. "Em matéria de chateação essa merece uma patente", disse. Foi vaiado e aplaudido. De todo o evento foi a única fala que eu anotei, a mais interessante para mim, pois não estava ali para fazer a matéria da inauguração, mas sim para observar. Observação fez meu tio Gino Contin Jr. logo após a declaração de Serra: "Como é que um ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) é contra um movimento estudantil?" Pode-se pensar no assunto...

O segundo ponto foi ouvir de uma loira azeda e infeliz a seguinte frase: "A imprensa é um pé no saco". Pé no saco deve ser a vida dela ou ela própria na vida dos outros... Ela falou isso enquanto observava o governador dando uma coletiva, com vários repórteres se amontoando para tentar tirar declarações dele. Primeiro que foi uma falta de organização total. Não reservaram um local decente para Serra responder as perguntas da imprensa - que precisa de respostas, afinal não é todo dia que o responsável pelo Estado vem para Limeira... Se vira nos 30 e consegue algo.

Uma funcionária da assessoria do Estado veio até nossa equipe, logo quando chegamos, dizendo: "Por que vocês não deram nenhuma notícia do 'góvi' hoje aqui na cidade?". Que informalidade! Já entregou de cara que a organização do evento seria pífia pela qualidade da assessoria... A prefeitura daqui de Limeira realiza eventos bem melhores! Não havia água suficiente, nem reserva - precisaram ir comprar mais caixas fora de lá. Até teve um café, mas em outro lugar e reservado para imprensa e autoridades (diga-se de passagem que estava gostoso).

Alex Contin, estagiário do Jornal de Limeira

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O que é a vergonha na cara?

Benjamin Franklin (1706-1790) foi editor, refinado intelectual, escritor, pensador, naturalista, inventor, educador e político. Propunha como projeto de vida um pragmatismo eclarecido, assentado sobre o trabalho, a ordem e a vida simples e parcimoniosa. Foi um dos pais fundadores da pátria norte-americana e participante decisivo na elaboração Constituição de 1776. Neste mesmo ano, foi enviado à França como embaixador. Frequentava os salões e era celebrado como sábio a ponto de o próprio Voltaire, velhinho de 84 anos, ir ao seu encontro na Academia Real. Certa tarde, encontrava-se no Café Procope em Saint-Germain-des-Près, quando irrompeu salão adentro um jovem advogado e revolucionário Georges Danton dizendo em voz alta para todos ouvirem:"O mundo não é senão injustiça e miséria. Onde estão as sancões?" E dirigindo-se a Franklin perguntou provocativamente:"Senhor Franklin, por detrás da Declaração de Independência norte-americana, não há justiça, nem uma força militar que imponha respeito". Franklin serenamente contestou: "Engano senhor Danton. Atrás da Declaração há um inestimável e perene poder: o poder da vergonha na cara (the power of shame)".

É a vergonha na cara que reprime os impulsos para a violação das leis e que freia a vontade de corrupção. Já para Aristóteles a vergonha e o rubor são indícios inequívocos da presença do sentimento ético. Quando faltam, tudo é possível. Foi a vergonha pública que obrigou Nixon renunciar à presidência. De tempos em tempos, vemos ministros e grandes executivos tendo que pedir imediata demissão por atos desavergonhados. No Japão chegam a suicidar-se por não aguentarem a vergonha pública. Ter vergonha na cara representa um limite intransponível. Violado, a sociedade despreza seu violador, pois não se pode conviver sem brio.

Que é ter vergonha na cara? O dicionário Aurelio assim define:"ter sentimento da própria dignidade; ter brio." É o que mais nos falta na política, nos portadores de poder público, em deputados, senadores, executivos e em outros tantos ladrões e corruptos de colarinho branco. Com a maior cara de pau e sem vergonhice negam crimes manifestos, mentem sem escrúpulos nos interrogatórios e mas entrevistas aos meios de comunicação. São pessoas que à força de fazer o ilícito e de se sentir impumes perderam qualquer senso da própria dignidade. Roubar do erário público, assaltar verbas destinadas até para a merenda escolar ou falsificar remédios não produz vergonha na cara. Crime é a bobeira de quem deixa sinais ou permite que seja pego com a boca na botija. Nem se importam, pois sabem que serão impunes, basta-lhes pagar bons advogados e fazer recursos sobre recursos até expirar o prazo. Parte da justiça foi montada para facilitar estes recursos e favorecer os sem vergonha com poder.

No transfundo de tudo está uma cultura que sempre negou dignidade aos índios, aos negros e aos pobres. Roubo-lhes seu valor ético porque a maioria guarda vergonha na cara e tem um mínimo de brio. Como me dizia um "catador de lixo" com o qual trabalhei cerca de 20 anos: "o que mais me dói é que tenho que perder a vergonha na cara e me sujeitar a viver do lixo. Mas não sou "catador", sou trabalhador que com o meu trabalho digno consigo alimentar minha família". Se nossos políticos desavergonhados tivessem a vergonha desse trabalhador, digna e dignificante seria a política de nosso pais.

Leonardo Boff, teólogo e filósofo

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Lembrando...

Quando trabalhava na assessoria da prefeitura e atendia a imprensa, diariamente conversava com o jornalista Henry Villela sobre as reclamações de buracos espalhados pela cidade. O Jornal de Limeira mantém uma seção chamada "Disque-Jornal", na qual os leitores passam casos de buracos, calçadas quebradas e tudo mais para que façamos foto e contato com a prefeitura para informar na expectativa de resolver o problema.


A resposta para o Henry estava sempre pronta: "A secretaria tal vai verificar e tomar as devidas providências". Até porque ele sempre passava a reclamação num horário em que não encontrávamos mais nenhum responsável para transmitir o caso. E a rotina já nos fazia decorar a mensagem.


Hoje, o responsável pelo Disque é outro jornalista - graças a Deus ainda não sou eu (uma coisa para cada um...). Excepcionalmente numa sexta-feira, porém, eu peguei um caso para redigir. Como de costume, passei o caso para a assessoria e fui até meu computador escrever a nota após receber a resposta. Foi inevitável a lembrança dos dias de assessoria.


Meu computador é encostado com o do Henry e na hora lembrei de quando o atendia e logo dizia: "Onde está o buraco hoje, Henry?". Ri muito.

Alex Contin, estagiário do Jornal de Limeira

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Por que são gastos milhões para eleger alguém?

O jornal "Folha de S. Paulo" publicou a seguinte nota: "Campanha a prefeito em cidade média do Interior paulista não sairá por menos de R$ 3 milhões. Prestações de contas com valor inferior a esse devem ser inscritas na categoria de ficção".

Ora, considerando que o salário do prefeito de Limeira é de R$ 11.153,60 brutos, ele ganharia cerca de R$ 600 mil (com futuros aumentos) em quatro anos. Logo, é realmente nobre a disposição de gastar milhões para se eleger. Afinal, por que são gastos milhões para eleger alguém?

Aliás, qual ideologia move os candidatos a cargos eletivos a ponto das empresas se identificarem com seus projetos e ajudarem a financiar as campanhas?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Voltando no tempo no Mercadão



O Mercado Modelo de Limeira fez há pouco tempo 50 anos. Eu faço 22 este ano. Está bom, sou novo, mas tenho idade suficiente para lembrar dos bons tempos do Mercadão. O chão já não é mais o mesmo e algumas lojas mudaram, mas a maioria resistiu ao tempo e ainda está lá. Até a minha 2ª série do ensino fundamental, acho que tinha uns 9 anos, eu ficava na casa de minha tia, na Floricultura Sete de Setembro, a meio quarteirão do Mercadão. Estudei no Chapéuzinho Vermelho e depois dois anos na então EEPSG Brasil. Portanto, o começo de minha vida escolar foi bem marcada com visitas constantes ao Mercadão.

Esperava ansioso pelos R$ 2 da minha tia para ir até a loja da dona Neuzinha comprar salgadinho, sorvete ou os famosos chumbinhos.

Na última semana, recebemos a missão no Jornal de Limeira de gastar R$ 10 nas lojas de lá. Como escrevi no relato publicado domingo no Jornal, lembrei de minha infância. Já sabia que ia gastar pelo menos metade da verba com os chumbinhos feitos de chocolate branco, mas quis dar uma volta pelas outras lojas tanto para conversar com os comerciantes sobre as antigas enchentes - que era minha pauta principal - quanto para verificar o que seria possível comprar com até R$ 10. Missão difícil! A maioria dos produtos ultrapassa esse valor hoje em dia...

Encontrei uma imagem do Sagrado Coração de Jesus por R$ 5,90, quis negociar para comprá-la por R$ 5, mas não teve como. Além de não ser muito simpática, a vendedora não foi solidária à minha causa. Acabei comprando a mesma imagem, mas menor, cerca de oito centímetros, por R$ 4. O que vale são a proteção e o significado e não o tamanho, enfim. A vendedora perdeu a chance de ser elogiada!

Quanto aos chumbinhos... Humm, não teve um na Redação que não tenha gostado do doce, afinal, quem não gosta de chocolate? Eu e minhas primas Cassiane, Tatiane e Franciane íamos direto para a loja da dona Neuzinha. Esperava ávido pelas três, que estudavam no Colégio São José, para irmos juntos até a loja. Dona Neuzinha era uma japonesa muito simpática, morreu há cerca de cinco anos, mas sua família (irmão e cunhada) continua no meio daquele mundo de guloseimas!

Alex Contin, estagiário do Jornal de Limeira

quinta-feira, 5 de junho de 2008

À espera de uma obra

O edifício onde será construído o Centro de Formação do Professor (CFP) estava movimentado. A proximidade das eleições exigia trabalho dobrado. Eram 16h36 quando um Astra preto com insufilme encostou ao lado da obra. De longe, não consegui identificar o motorista, porém, a porta se abriu e era o prefeito Silvio Félix (PDT) - que vinha dirigindo seu carro particular. Do seu lado, a secretária. Ele desceu apressado, cumprimentou-me e fomos para dentro da obra, já que a matéria era sobre o atraso na entrega do Museu da Jóia Folheada - que fica ao lado do CFP. No entanto, ele fez questão de visitar os dois prédios.

No CFP, já havia um grupo grande de assessores e dois secretários - de Obras e Meio Ambiente - aguardando o chefe do Executivo. Félix insistentemente fazia referência às suas viagens à Europa para comparar detalhes das obras que estavam sendo feitas. No teatro, ele pediu mais lugares. “Isso aqui tem que ficar semelhante ao Teatro Vitória, acho que dá para aumentar um pouco”.

Ainda no prédio, o prefeito subiu ao segundo andar, onde era para ser o gabinete do prefeito no Paço projetado há alguns anos. Ele não falou muito. Aproximou-se da janela, cumprimentou algumas pessoas que faziam caminhada, virou-se para os assessores e disse: “Isso aqui vai ficar chique”.

Félix andava pela obra sempre cobrando modificações, sem se preocupar muito com o custo. Uma janela que já estava com as esquadrias colocadas foi o primeiro alvo do prefeito. “Acabei de ter um idéia. Quero que aqui seja feito um vitral. Vamos reproduzir obras de artistas mortos de Limeira”. Os empreiteiros torceram o nariz.

Na saída, Félix foi parado por duas pessoas. Elas perguntaram ao prefeito o que iria ser feito com relação à hípica, já que no local há um programa para crianças com necessidades especiais que estão sem onde ficar devido à interdição de um barracão. Félix olhou para os lados, chamou a secretária e pediu para ela anotar o recado.

Henry Villela, repórter do Jornal de Limeira